Dois dias em São Paulo (13 e 14/10) , mais de 300 conteúdos, milhares de profissionais. Para quem, como eu, caminha com TOTVS desde 2001, o Universo TOTVS 2026 foi algo além da grade técnica: um momento raro de aprendizado e de reencontro com velhos amigos e grandes profissionais que são referência no mercado de TI brasileiro. Conversas de corredor viraram aula, referências viraram par de debate e até encontro familiar, onde pude encontrar minha prima.
Mas o número que me chamou atenção veio dos bastidores: 88% das empresas ainda não acompanham o retorno dos seus investimentos em IA. Enquanto o palco mostrava tecnologia madura, o corpo corporativo segue operando IA sem régua.
1. IA sem métrica é custo, não ativo.
George Westerman (MIT Sloan) colocou o debate no lugar certo: o que separa experimentação de valor real. Cristiano Nobrega, VP de Dados e IA da TOTVS, foi direto: "A IA, no final, é sobre ganho de produtividade e eficiência operacional mensurável". A contrapartida também vale: sem governança, a IA não simplifica, "complexifica". Baseline antes, métrica depois. Sem isso, todo piloto vira entretenimento tecnológico. Precisamos mudar esse cenário com urgência e, na minha visão, isso passa não só pela operação, mas também pela direção, que precisa entender o que a IA pode fazer e até onde pode ir e que se não tem objetivos claros, tudo vira experimento sem propósito.
2. Agentes de IA viraram produto: trate-os como portfólio.
O LYNN, primeiro foundation model B2B do Brasil, que vai estar embarcado dentro dos produtos TOTVS, ganhou uma família de agentes com modelo de cobrança próprio. A leitura para quem lidera TI é uma só: agente não é brinquedo, é item de portfólio, com business case, dono e indicador e retorno.
3. Vibe coding sensato: a IA só acelera onde existe padrão.
A palestra do Gustavo Guanabara, uma das grandes referências em formação de profissionais de TI no Brasil, usou o SmartX como estudo de caso. O novo framework de telas do Protheus (release 2610), RM e Datasul nasceu de uma lição aplicável a qualquer empresa: copilotos geram código consistente quando recebem contexto estruturado (tokens, design system, regras expostas via MCP). Guanabara acrescentou duas provocações que levei comigo. Primeira: o usuário de ERP passa horas por dia dentro do sistema, o que torna qualquer mudança de experiência uma decisão crítica, não um retoque estético. Segunda: a IA já elimina a parte burocrática do trabalho técnico, como documentação de handoff, e devolve o profissional para o que importa: criar e resolver problemas. A validação das regras começa no pré-commit. Antes de liberar IA no desenvolvimento, organize o padrão: IA multiplica o que já existe, não inventa disciplina.
4. O ERP virou banco, e isso muda o financeiro da PME.
A Conta+ da Techfin (TOTVS + Itaú) coloca Pix, DDA, conciliação automática, saldo remunerado e antecipação de recebíveis dentro do Protheus. Elimina o gargalo mais caro do financeiro: o retrabalho de conciliação. Software de gestão virou infraestrutura financeira, isso pode ser diferencial em um mercado extremamente competitivo.
5. Sucessão, transição e equilíbrio: o paradoxo que Laércio Cosentino expôs.
O fundador da TOTVS entregou a tese mais provocadora do dia 13: vivemos cada vez mais e a tecnologia nos torna obsoletos cada vez mais rápido. A transição, que antes acontecia uma vez na carreira, agora acontece várias vezes na existência. Tratou a IA como concorrente, não como ferramenta. E fechou com sucessão pensada em horizonte de 100 anos: herdeiros podem assumir aos 70, a sucessão pode pular uma geração, e patrimônio é mais que dinheiro: é nome, marca e conhecimento. O equilíbrio, segundo ele, está em quatro atos: poupar mais, continuar ativo, preservar a experiência e transmitir patrimônio.
6. Criadores e criaturas: o ativo escasso continua sendo gente.
Rishad Tobaccowala fechou a tese que compartilho da ideia : humanos dão propósito e direção à IA; a IA multiplica o alcance humano. E a frase que levei para casa: "Quando você para de aprender, é o dia que você começa a morrer." O diferencial competitivo das empresas de 2027 não será o modelo que contratam, será a velocidade com que seus times aprendem. E aqui entra algo importante: empresas que abandonam o Humano logo estarão fora do mercado, é questão de tempo.
Fechando, o gap dos 88% não é problema da TOTVS, do MIT ou dos fornecedores. É oportunidade de liderança. Quem medir, escala. Quem não medir, estaciona na experimentação e consequentemente ficará para trás e fora do mercado que muda a uma velocidade impressionante.
E na sua operação: como você mede o retorno da IA? Como você trabalha o Humano com IA? Sua equipe esta preparada para acompanhar todas as mudanças? Quais ações esta sendo implementada para enfrentar esse mercado.
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